11º Festival de Cinema Luso-Brasileiro / Cineclube da Feira


 
11º Festival de Cinema Luso-Brasileiro / Cineclube da Feira

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Este bloco assume-se como uma montra de realizadores do futuro, ou seja, como uma antecipação de cineastas. A escolha deste ano recaiu sobre Carlosmagno Rodrigues e Victor-Hugo Borges.



CARLOSMAGNO ROGRIGUES

Carlosmagno Rodrigues é um guerrilheiro cinematográfico. Munido de uma mini-dv, a sua AK-47, faz as emboscadas mais ousadas do cinema brasileiro actual. É um cinema experimental-interventivo que derruba os laços da harmonia estética para dinamitar a linguagem. Nessa destruição, só sobram os restos do arrojo, que depois de reunidos, depressa se apresentam como algo totalmente novo e sedutor.


   

  CORAÇÃO REBELDE, Carlosmagno Rodrigues [BR], 1999, Exp., Mini DV, 1'30"
Video sobre incómodos cotidianos.
 

   

  AMÉRICA \ CTRL+S, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2000, Exp., Mini DV, 4'30"
VÌdeo caseiro onde lixos sonoros e visuais compõem um imaginário de uma América chamada Brasil.
 

   

  TARGA-STALKER, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2001, Exp., Mini DV, 4'30"
Colagens digitais compões um discurso anti-imperialista e enunciam que a novidade virá pela simplicidade das imagens caseiras
 

   

  IMPRESCINDÍVEIS, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2003, Doc., Mini DV, 5'22"
Tentando criar uma ficção, um pai manipula seu filho, este reage e subverte a situação com ironia e perspicácia.
 

   

  TODO PUNK É CATÓLICO, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2003, Exp., Mini DV, 5'
VÌdeo anárquico que questiona imagens eletrónicas contaminadas por textos poéticos.
 

   

  ANDRÔMEDA, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2005, Exp., Mini DV, 5'31"
Imagens noturnas e citações de cenas de filmes compõem o imaginário de um menino astronauta.
 

   

  DIANTE DO ABISMO DE SEUS OLHOS, Carlosmagno Rodrigues [BR],
2000, Exp., 6'25"
Uma criança é ferida por uma mariposa; levada ao oftalmologista, ela tem seus olhos limpos, pupilas dilatadas, vivências e leituras políticas antiamericanistas.
 

   

  IGRREV, Carlosmagno Rodrigues [BR], 2006, Doc. / Fic., 35mm, 15'
Surge mais um templo: Igreja Revolucionária dos Corações Amargurados.
Flémulas, estandartes, um hino de louvor, um ideário libertário de fé.
Nesta igreja, são os fiéis os contemplados. Recebem ao invés de pagarem dízimo.
 

   

  SEBASTIÃO O HOMEM QUE BEBIA QUEROSENE, Carlosmagno Rodrigues [BR],
2007, Exp., Mini DV, 12'
Filme experimental sobre vida e morte, pensamento reflexivo e apatia.
Imagens iconográficas ocidentais coexistem como espelhos para pensamentos a respeito do livre arbítrio, da consciência de si e da beleza existente para olhos humanos.
 


VITOR-HUGO BORGES

Autor de cinema de animação com um traço inconfundível, criou uma obra sugestiva e promissora cuja identidade estética funda um universo muito próprio, onde histórias de arrepiar são contadas de modo delicioso.



TEXTO POR Cid Vale Ferreira (Escritor)

Espécie de esteta das modalidades mais simpáticas do macabro, o paulista Victor-Hvgo Borges distingue-se na animação brasileira como um criador ousado e avesso a concesses.
Em menos de uma década de produção, este realizador incomum foi capaz de tornar seu estilo cada vez mais reconhecível não apenas na animação, mas também em outros campos, por meio - principalmente - de incursões pelas artes gráficas, pela pintura, pela escultura e pela vídeo-arte.
Em todas essas médias, sua experimentação dispensa todo hermetismo. Em vez de fórmulas elitistas, destaca-se a liberdade criativa e a exploração imagens que atraem tanto crianças inocentes quanto os adultos mais excêntricos.
Pontuada por prémios a cada nova etapa, sua trajetria tem como faceta mais visível uma série de curtas-metragens marcados por uma saudável ambivalência. Neles, o canibalismo pode conviver com o humor, o pesadelo com a nostalgia: a crueza daqueles aplacada pela doura destes.
Em virtude dessa mescla, nunca o sinistro se configura terrível em suas cenas. Há sempre poesia. Igualmente, nunca a calmaria surge desacompanhada de uma pitada de imprevisibilidade. Há sempre estranhamento.
Esses elementos estão na espinha dorsal da obra de Victor-Hvgo. A maneira pela qual cada um de seus títulos os apresentam, porém, varia muito. Do incio caligaresco ao domínio de sofisticadas técnicas de stop-motion, seus curtas evidenciam rápida e progressiva evolução, o que, apesar da já vultosa contribuição animação brasileira, faz com que esse veterano continue promissor.


   

  DES FANTASTIK SUCRIC, Victor-Hugo Borges [BR], 2001, Ani., 35mm, Cor, 2'
Menino encantado com a magia do circo, a todos surpreende com o seu ingénuo talento.
 

   

  EL CHATEAU, Victor-Hugo Borges [BR], 2002, Ani., 35mm, Cor, 6'
Rapaz espera sua namorada num elegante restaurante, onde desfilam tipos altivos e vis. Paródia das relações humanas, onde pessoas devoram umas as outras, neste caso, literalmente.
 

   

  LOOP LOOP, Victor-Hugo Borges [BR], 2004, Ani., Digital, Cor, 2'
Menino encantado com a magia do circo, a todos surpreende com o seu ingénuo talento.
 

   

  HISTORIETAS ASSOMBRADAS (para crianças malcriadas), Victor-Hugo Borges [BR], 2005, Ani., 35mm, Cor, 16'
Três histórias que sua avó não contou porque senão você faria xixi na cama.
 

   

  ICARUS, Victor-Hugo Borges [BR], 2007, Ani., 35mm, Cor, 11'
“Icarus” conta a história de um menino e de sua rotina. Fala também do relacionamento “invisível” com o pai, um piloto de avião bastante ocupado que só tem alguns minutos por dia para ver seu filho. O pai sempre chega muito tarde e usa um pequeno robô de brinquedo para se comunicar com o filho, que já dorme. Dia e noite, realidade e sonho, nesses contrastes vemos o universo criado pelo menino florescer, mesmo após um acontecimento muito triste.
 

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